Aprender a cozinhar, a meditar e a amar.

Itália, Índia, Indonésia queria eu. Na verdade, na época, eu não queria não. E foi de dentro de casa mesmo.

Nunca soube cozinhar, nunca precisei cozinhar. Já tentei cozinhar, mas nunca agradei. Já fiz risoto de tomate seco com mussarela de búfala com cara de canja de galinha, picadinho com cara de ensopado e alguns pratos não identificados. E agora me vejo testando e testando receitas para nos tirar do menu rotineiro e trazer um sabor diferente aos finais de semana. Será?
Receitas práticas, pequenas ideias e muita dedicação são os ingredientes que já levaram para a nossa mesa: risotos, peixe ao forno, batatas ao forno, refogados, legumes orientais e até petit gateau. Passou do ponto, os legumes amoleceram, faltou sal, não sinto o alho no refogado são algumas das observações anotadas. E assim venho repetindo as 5 ou 6 receitas escolhidas por mim na tentativa de melhores resultados. Novas descobertas estão logo ali... Não nas ruas de Roma, mas nas mensagens da minha irmã @Nanda, de amigas e no maravilhoso universo digital. E a poucos passos de qualquer outro cômodo.
Nunca meditei...
Nunca soube meditar e nunca achei que precisaria meditar. E foi em meio a um desabafo pelo whatsApp, que descobri que nunca é tarde para tentar. Há poucos dias assisti pela primeira vez a uma sessão ao vivo de meditação. Não na Índia, no Instagram mesmo. Procurando por um pouco de tranquilidade, fugi para a varanda e me deitei na rede para minutos depois descobrir que deveria estar sentada com a coluna reta e de preferência no chão. Ok, a varanda não funciona, mas será que algum outro cômodo aqui em casa iria funcionar? Há crianças por toda parte, e crianças pequenas não entendem os tempos e momentos presentes no mundo dos adultos. Minha mãe está em casa. Posso e vou acessá-la quantas vezes eu quiser. Ela é a minha mãe. E sentada no chão da sala com as luzes apagadas sinto uma criança se aproximando. “Mamãe, posso me sentar no seu colo?” “Não filhota a mamãe está ocupada agora, preciso de 20 minutos.” “Mamãe você está sempre ocupada!” A criança sai com a cabeça baixa e bate a porta do quarto. Fecho os olhos com o coração apertado e busco em vão por concentração. Duas crianças brigando saem do banho e agora uma pequena chorosa se aproxima. Chorar no ouvido da mamãe é sempre mais acolhedor. Primeiro dia, 40 minutos, e pude observar de longe um grupo de cerca de 20 mil pessoas meditando. Hoje, uma semana depois, o cenário já é um pouco diferente: ainda não consegui meditar, mas já tenho 20 minutos para mim... Desde que as minhas 2 pequenas sombrinhas possam vir se sentar ao meu lado para acompanhar o mantra, o sorriso, o abraço e a música bonita. “Mamãe, meu coração nunca esteve tão calmo!”
Mais uma vez tenacidade é fundamental.
E Amar...
Tenho pais e tive avós muito amorosos. Aprendi sobre amor incondicional na condição de filha e neta, muitos anos antes de ser mãe. O amar e o cuidar, com suas pequenas e inofensivas imperfeições, sempre estiveram presentes. Com o tempo fui compreendendo a sua força, na angústia que se forma quando se perde e na alegria que invade quando se tem.
E então um casamento e três nascimentos formaram uma grande família recheada de amor e descobertas e de repente uma pandemia... Uma o quê? Minha família ainda jovem, como muitas ao redor do mundo, se viu paralisada por uma pandemia que nos tirou o mais simples da vida, o viver. E nos afogou em um turbilhão de emoções, muitas delas vividas pela primeira vez nesta intensidade como saudade, medo, angústia, impaciência, irritação, nervosismo, teimosia, entre tantas outras. E o amar enfrentou sua maior provação na busca de equilíbrio diante da exaustão.
Elizabeth Gilbert, ou melhor, Julia Roberts foi sábia um dia: “É justamente sobre isso que fala a resiliência: sermos capazes de superar os momentos mais difíceis, de cair e de nos reerguermos cada vez mais fortes!” Seremos como ela? Sim, sempre!

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